quarta-feira, 20 de abril de 2011

ESTRANGEIRISMO NA CERVEJA




Ontem, em pleno dia do índio, no estado do Rio Grande do Sul, a Assembléia gaúcha aprovou o projeto de lei 156/2009 que visa regulamentar o uso de palavras estrangeiras nas mídias públicas. Se posto em uso, todas as palavras estrangeiras que tiverem tradução ou significado semelhante na língua portuguesa deverão ser substituídas e; quando não houver tradução, o termo peregrino deverá ser seguido do significado semelhante. O TELECERVEJA é favorável a essa atitude patriótica. Não vemos perdas mercadológicas nas relações internacionais. Em Portugal, assim como na Argentina, há um esforço à tradução de palavras estrangeiras, como é o caso do “mouse” de computador, chamado de rato – ainda que a tradução correta seja camundongo... Na Argentina, comumente, se vê nos cinemas, a tradução literal de nomes de filmes estrangeiros, como “Star Wars” em sua versão “La Guerra De Las Galáxias”. Nesse blogue, tu deves ter percebido que sempre fizemos um esforço em traduzir as palavras ao Português. Nos referindo a um ‘sítio’ na ‘grande rede’, por exemplo e, quando não fosse possível a tradução, grifamos a palavra em modo itálico (inclinado) ou com uso de aspas. Não esquecendo que utilizamos, sim, o uso de neologismos como no caso do nome desse blogue ou em termos como ‘zitófilo’ e ‘zitoharmonização’ – esses compostos de “línguas mãe”. Pois bem, já que a pauta é essa, vamos brincar um pouco na tradução de estilos de cerveja.

CERVEJA:
Altbier – Cerveja Antiga
Amber Ale – Âmbar de Alta Fermentação
American Pale Ale – Estadunidense Pálida de Alta Fermentação
American Strong Ale - Estadunidense Forte de Alta Fermentação
Barley Wine – Cerveja forte como o vinho (Vinho de Cevada)
Belgian Ale – Belga de Alta Fermentação
Bitter – Amarga
Bock¹ - EinBeck, cerveja da cidade alemã de (pronunciado “ein bock”)
Bock² – Bode, cerveja do (feita na regência do signo de carneiro)
Brown Ale – Marrom (ou Castanha) de Alta Fermentação
Champagne/Brut, Bière de – Cerveja Espumante – método Champeinoise
Cream Ale – Cremosa de Alta Fermentação
Doppel/Double – Duas vezes mais (malte), cerveja com
Dry – Seca, cerveja
Dunkel Bier – Cerveja Escura (não necessariamente preta)
Eisbock – “Bock” de estilo “Ice”
Fruit Bier – Cerveja Frutada (ou batizada com especiaria)
Garde, Bière de – Cerveja da Guarda (Real)
Golden/Blonde Ale – Dourada/Loura de Alta Fermentação
Hefeweizen – Fermento, cerveja de trigo com resíduo do
Helles –Brilhante, cerveja
Ice – Gelo, cerveja com utilização de técnica com formação de
Imperial – Imperador, cerveja para
Índia Pale Ale – Índia (país), cerveja para a - Pálida de Alta Fermentação
Irish Red Ale – Irlandesa Avermelhada (Vermelha) de Alta Fermentação
Kolsch – Colônia (alemã), cerveja da
Kriek – Cereja, cerveja com
Lambic – Cerveja de fermentação espontânea (com fermento selvagem)
Malt Liquor – Malte Licoroso (parte do malte substituído por ingredientes licorosos)
Malzbier - Cerveja de Malte (originalmente, malte quase não fermentado)
Milk/Sweet Stout – Corpulenta com Lactose/Doce
Marzen – Março, cerveja feita no mês de (para consumo como “Oktoberfest Bier”)
Oktoberfest Bier – Cerveja da Festa de Outubro
Pilsen(er) – Pilsen, cerveja (clara, de baixa fermentação) da cidade de
Porter – Carregador (trabalhador), cerveja para (cerveja robusta)
Premium – Prêmio (distinção em qualidade para uma Pilsen)
Quadrupel – “Tripel” mais encorpada (“quatro é maior do que três”)
Rauchbier (Smoked) – Defumada, cerveja (com malte defumado)
Schwartzbier – Cerveja Preta
Sparkling – Cerveja Espumante – sem Champenoise
Stout - Robusta, cerveja
Trappiste – Trapista, cerveja (original dos monges)
Tripel – três vezes mais (malte), cerveja com
Tropical Lager – Tropical de Baixa Fermentação, cerveja
Urweisse – Antiga Cerveja de Trigo (Cerveja Branca)
Vintage/Oaken – Envelhecida/Carvalho
Weiss – Branca, cerveja (Cerveja de Trigo)
Weizen Bier (Wheat Beer) – Cerveja de Trigo


Para fortalecer o debate, essa lista está sujeita ao constante aumento de novos estilos e a possíveis adequações nas traduções.


7 comentários:

Tarcísio Vascão. disse...

Vivemos em uma democracia, e assim, com todo o respeito, acho uma idiotice, um revanchismo desnecessário, essa coisa de mudar as palavras estrangeiras para palavras nacionais. Vivemos em um mundo globalizado, e quanto mais linguas conhecermos, mais estaremos integrados, unidos, o que a Assembléia Gaúcha precisava se preocupar é com a qualidade do ensino no país, pois a juventude não consegue mais nem falar o português corretamente.

Patrick Stephanou disse...

Tarcísio,
o revanchismo só está na mente daqueles que entendem que o Brasil seja inferior a outra nação...
Em grande parte da imprensa internacional, o nosso carnaval é traduzido para “carnival” e, por exemplo, quando recebemos um “brifing” sobre “Spring Break”, não traduzimos essa expressão. Ou seja, não defendemos nossa cultura através da língua e, ainda absorvemos a de fora. Num mundo globalizado, o valor está exatamente em externar o diferencial local. Se o Brasil utilizar cada vez mais expressões estrangeiras, como na publicidade, mais estará demonstrando sua passividade. O exemplo que demos de Portugal é prova disso. Numa Europa, onde o próprio Euro sofre pelas restrições culturais, cada país integrante impõe sua cultura.
Em relação à cerveja, pauta desse blogue, o que defendemos é a tradução literal no uso de adjetivos cervejeiros e, não em nomes históricos – o que acaba seguindo o citado projeto de lei. Por que não utilizamos ‘Leffe Castanha’ ao invés de Leffe “Brune”? Faz diferença para a Leffe (InBev) ou nós devemos saber que “Brune” significa ‘castanho’? Quando se tratar de uma Kaiser Bock, aí sim, entendemos que “Bock” se trate de um nome próprio.
Por fim, não é por conta dessa preocupação que a Assembléia Gaúcha deixe de se preocupar com a qualidade do ensino do país. Tu não deves deixar de almoçar enquanto parte de nosso povo não tenha o que comer e, não devemos deixar de defender nossas idéias, enquanto soubermos justificá-las.

Zumbinha disse...

Pelamor, querer controlar o uso que se faz do registro linguístico é não compreender que as línguas e demais sistemas de símbolos se constituem do uso que os indivíduos fazem dela. E que todas as línguas mudam não só com alterações feitas pelos falantes a parte das palavras originais, qto pelo contato com outras línguas. Muitos palavras que hoje constam do vocabulário português foram originadas, recentemente, de outras línguas. Desnecessário, inútil e impraticável tentar "preservar" nosso português dessa forma.
PS: "Carnival" não é tradução pra o "nosso carnaval", é uma palavra usado para festejos em diversas culturas e até para parque de diversões.

Patrick Stephanou disse...

Zumbinha,
tua retórica quanto à inserção de palavras através do uso falado está correta. Porém, “Carnival” é carnaval - perguntes a um gringo ou digites no Google...
Não defendemos fechar a língua “brasileira” ao mundo e, sim, que façamos traduções básicas como fazer uma pausa para beber uma cerveja dourada numa hora feliz; e não fazer um “break” para beber uma cerveja “gold”num “happy hour”... Só falta pagares a conta em “cash” e depois pegares o elevador até o ‘P’ de “parking lot”! Hahaha!

Zumbinha disse...

meu ponto é que não é uma tradução de uma palavra portuguesa. Sua origem vai mto além, e sim, seu significado engloba mais manifestações do que o carnaval que a gente tem no Brasil. Não é como se fosse se os gringos pegassem, por exemplo, o Boi Bumbá, e transformassem em Boi Bumbi.
Mais isso de fato não importa mto. e não tinha a intenção de ficar dando uma de chata.

Tarcísio Vascão. disse...

Caro Patrick, sua posição está muito bem defendida, parabéns. Compreendi perfeitamente seu pensamento em relação ao assunto, mas acredito que os idiomas são "seres vivos" em constantes mutações, e as influências são universais, portanto gosto da "miscigenação" linguística", que acredito combinar muito com o Brasil, um país plural e miscigenado, portanto não concordo com canetadas de políticos que na realidade querem apenas maior visibildade na mídia. Saudações cervejeiras!

uva e cevada disse...

O Sr. Patrick tem toda razão em sua argumentação.
O lamentável, e o que pega, é que uma decisão como esta somente tem força quando nasce da sociedade.

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