segunda-feira, 20 de maio de 2013

EU SÓ QUERO CHOCOLATE






A “gestão industrial” das cervejarias artesanais Devassa, Baden Baden, e Eisenbahn é realmente plausível. Após serem adquiridas pelo Grupo Schincariol, hoje Brasil Kirin, especulava-se que sofreriam descaracterizações e/ou descontinuidade de lançamentos. Diferentemente da Devassa englobada ao segmento de entrada, louvamos que tanto a Baden Baden quanto a Eisenbahn mantiveram-se em suas unidades fabris originais e com o mesmo fomento cervejeiro – incluindo-se, aqui, lançamentos de novos rótulos. Após a missão que chamamos de “Zehn” - lançamento da Eisenbahn 10 anos; dia 09 de Maio de 2013, o TELECERVEJA teve a honra de participar da missão “Chocolate” - lançamento da Baden Baden Chocolate. Afirmando a continuidade em lançamentos de cervejas especiais, já sob administração nipônica (Brasil Kirin).

Patrick Stephanou, Sady Homrich, Fabricio Santos, Bernardo Couto (atrás), e Daniel Wolff



Dessa vez, o lançamento foi na própria planta de origem. Subimos, então, a Campos do Jordão, acompanhados de expoentes formadores de opinião do mercado de cervejas especiais, figurado por amigos blogueiros; jornalistas; e empresários do setor. O que já era esperado é que alguns entusiastas da boa cerveja encontram-se nos mesmos eventos – o que não podia ser diferente, resultante do prestígio de suas ações em prol da cultura cervejeira. Os nomes, em ordem meramente alfabética, de alguns desses convidados devem ser lembrados, como: Bernardo Couto (Homini Lúpulo); Cássio Picolo (Frangó); Daniel Wolff (Mestre-Cervejeiro); Edu Passarelli (Aconchego Carioca – SP); Fabricio Santos (Full Pint); José Raimundo Padilha (Sommelier de Cervejas); Leonardo Botto (Botto Bar); Patrick Stephanou (TELECERVEJA - esse que vos escreve); e Sady Homrich (Extra-Malte). Amparados por competentes profissionais da Brasil Kirin, dentre eles amigos de importância cervejeira nacional como o mentor Juliano Mendes (“DNA Eisenbahn) e Luciano Lima (canais especiais); somados a Marcus Dapper (mestre-cervejeiro Baden Baden); e Peter Ehrhardt (mestre-cervejeiro matriz ITU).

Já na cervejaria Baden Baden, comparando com a vez em que a conhecemos antes de pertencer ao grande grupo cervejeiro, a satisfação em presenciar investimentos de expansão e tecnologia na unidade fabril. Mais um registro dum gerenciamento de visão estratégica bem sucedido. Após a visitação orientada em meio à produção, o grupo foi encaminhado a um ambiente montado em frente à cervejaria para o lançamento oficial do 11º rótulo: Baden Baden Chocolate, pelas mãos de Marina Barros (Marketing BK).

*Curiosidade: Em Campos do Jordão, considerada a cidade mais alta do Brasil com seus 1.628 m de altitude (a cima do nível do mar), a fervura do mosto é atingida a 95°C.

De forma exemplar, mais um produto projetado e executado pela junção de distintos segmentos da companhia. Assim como no caso da Eisenbahn 10 anos, desde a pesquisa mercadológica, do início ao fim, todo processo envolveu o marquetingue, o comercial, e o corpo técnico (mestres-cervejeiros). Diferentes áreas trocando experiências e lapidando o produto até o resultado final. Que deverá ser distribuído nacionalmente até o fim do mês, a um preço médio de R$ 15,00. Como diria Gilberto Gil: “Procure saber”!




EMBALAGEM
O conjunto é um primor à parte. O rótulo segue o padrão das outras cervejas da marca Baden Baden, porém o da Chocolate Beer apresenta desque em “hot stamping” (efeitos metalizados na impressão). O copo tipo snifter, eleito para a cerveja, o mesmo da Eisenbahn 10 Anos,  valoriza a sua apreciação. Há uma versão comemorativa, em porcelana, cor de chocolate, que é um dos raros copos sem transparência do mercado, e talvez sugira uma tendência para estilos de cerveja consagrados – onde a não visualização do líquido não seja um problema. Mais uma criação do Luciano Lima... E, lembrando do inverno, o grupo ganhou de presente, não apenas uma camisa tipo pólo, mas tipo pólo de manga comprida. Um sensível detalhe à parte!






HARMONIZAÇÃO
Na “árdua” missão de viajar a Campos do Jordão, o grupo foi recebido com um almoço harmonizado com outras Baden Baden. Especificamente à Chocolate Beer, sua degustação no lançamento veio acompanhada de doces de chocolate, que é a sua grande sugestão como brownie e petit gateau. Todavia, nossa veia gastronômica permite sugerir, além do clássico ‘fondue’ de chocolate, variações em sobremesas como ‘cheesecake’ de frutas vermelhas ou doces em calda de uva e goiaba. Ainda, devemos apostar na migração para pratos principais (salgados) com molhos caramelizados escuros. E, seguindo essa tendência, carnes caramelizadas como dita a “Reação de Maillard”. Vale testar!



LÍQUIDO
Depois da Baden Baden Stout Dark Ale, “Chocolate Beer” (Cerveja de Chocolate) é o mote. Ainda que, de fato tenhamos cacau e não chocolate propriamente dito, adicionado na fervura da cerveja em função da legislação do MAPA que proíbe ingredientes de origem animal, como o leite - cabe lembrar que a gordura, seja qual for, deve ser eliminada na elaboração de uma cerveja. Para reforçar no aroma, baunilha foi agregada na maturação. A base de maltes tostados de cevada e de trigo confere cor e sabor característicos de cervejas escuras e gosto amargo de “toffee”. O lúpulo especial, cuidadosamente, não compete ou ofusca o aroma e o sabor predominante de chocolate.











AVALIAÇÃO
Baden Baden Chocolate Beer

PRESSÃO
Pressão satisfatória; espuma aerada demais, de bolhas grandes e pouco persistente - a pesar de manter uma fina camada duradoura na superfície da cerveja.

APARÊNCIA
Creme amarelado e uma coloração extraordinária de chocolate potencializada pela turbidez. Trata-se de uma bela experiência apreciá-la visualmente.

AROMA
O aroma de chocolate e baunilha, característico de achocolatado líquido – tipo o “Brown Cau”, é impressionante. Assim como a cor de chocolate, o aroma sugere que estamos consumindo de fato um produto de chocolate.

SABOR
Os 6% APV não são percebidos no sabor, assim como o amargor e lúpulo. Talvez pensemos: “poderia ser chocolate meio amargo”... Todavia, a pesquisa do produto indicou que cervejas amargas têm maior rejeição ao grande público, e por sua vez o retrogosto é suavíssimo. Cerveja na marca de 10 IBUs.

CORPO
Outro indicativo de estudo foi de aumentar a bebilidade com um corpo mais leve, embora em nossa opinião um corpo denso fosse o ideal para essa cerveja. Percebemos um frisante carbonatado que limpa demais o paladar para o anseio do próximo gole.

IMPRESSÃO GERAL
Dada a proposta, é uma cerveja exemplar. Mesmo sendo uma edição limitada, nossa aposta é que agrade como uma cerveja de entrada a novos consumidores de cervejas especiais. Cerveja tipo “menu degustação”!


  

Nossos agradecimentos, ao grupo Brasil Kirin, pelo convite a mais uma memorável experiência. Ainda que nos sentimos lisonjeados pela lembrança e incentivados a exercer o nosso fomento à boa cerveja, ficamos felizes por mais um encontro com amigos e - por que não? - ídolos cervejeiros.





sexta-feira, 26 de abril de 2013

A HORA DA EMBALAGEM





13º ENCONTRO DE COLECIONÁVEIS CERVEJEIROS
Ocorre todo o ano desde 2001. Evento aberto ao público destinado à compra, venda, e troca de artigos de cerveja que tanto são colecionáveis quanto decorativos. Essa mostra/feira já percorreu os principais ’shoppings’ da capital gaúcha como os Bourbon Ipiranga e Country; e ’shoppings’ Moinhos de Vento e Total. Desde 2010, abrangendo uma fatia maior de visitantes, ocorre no Mercado Público. Há o encontro de colecionadores − que representam seus clubes − de diversos estados do Brasil; países da América do Sul (como Argentina, Chile, Uruguai, Peru, Bolívia), e Europa (como Alemanha, Polônia,Itália, Portugal). Para esses há uma programação fechada que envolve coquetel de reencontro, leilão (com altas sifras), e almoço festivo.

Quando:
Sábado, 27 de Abril de 2013 (evento aberto ao público)

Horário:
Das 9 às 18h

Onde:
Mercado Público Central de Porto Alegre (quadrante 4 ˘ espaço de feiras)


Realização:
Tcherveja (Clube Gaúcho de Colecionáveis Cervejeiros) www.tcherveja.com.br
Clube fundado em 1994, voltado ao colecionismo cervejeiro.

Patrocínio:
Nova Schin - Brasil Kirin

Apoio:
Prefeitura de Porto Alegre e Quality Hotel



Respostas − Dúvidas Comuns/FAQ:

1. O ECC aberto ao público é somente Sábado (dia 27). Dias 26 e 28 compreendem uma programação em hotel e restaurante fechada a colecionadores − inclusive com leilão fechado.

2. No Mercado público pode haver degustação de cerveja do patrocinador (Nova Schin), mas esse não é o mote da mostra/feira.

3. Qualquer pessoa pode visitar e comprar/vender/trocar seu artigo de cerveja. A mostra/feira no Mercado Público é aberta ao público. Aderindo a um dos clubes de colecionadores participantes e pagando a taxa de inscrição do evento, poderá participar das atividades fechadas a colecionadores.

4. No Brasil, os maiores clubes de colecionismo cervejeiro são o TCHERVEJA e o paulista Brasil Chapter. Junto com esses, os maiores clubes sul−americanos são os da Argentina e Chile. Na Europa existem vários clubes, mas os mais participantes são os da Alemanha e Portugal.

5. Para não errar a fala, o clube gaúcho chama−se TCHÊR−VE−JA.

6. Os colecionadores do TCHERVEJA figuram entre as maiores coleções do Brasil e as mais importantes da América.

7. Exitem coleções cervejeiras de todo o tipo. Itens de todo o mundo como latas vazias ou cheias; barriletes; garrafas; porta−copos; rótulos; tampas; abridores; luminosos e neons; camisetas; enfim, qualquer artigo de cerveja que chamamos de "brewerianos" (Brew, em inglês, significa fazer cerveja).

8. O TCHERVEJA, assim como o Encontro de Colecionáveis Cervejeiros, agrega os colecionadores de refrigerantes e Coca−Cola.


Outras informações e imagens, no sítio do clube: www.tcherveja.com.br



quinta-feira, 25 de abril de 2013

GRAÇAS A DEUS










Entre Deus e o Diabo


Em qualquer segmento, a dificuldade de acesso a um bem de consumo o torna raro, e conseqüentemente, caro. Cervejas extremamente custosas persistem, ao tempo, inacessíveis a vários entusiastas, gerando mitos em torno de uma cobiçada experiência degustativa. E, talvez, nem tão caras quando a relação custo-benefício aponta a uma razão ótima. “Passaram-se uns 8 anos até nos encontrarmos com Deus”. Cerveja que não nos permitíamos provar pelo seu alto preço na marca dos R$ 200,00. Hoje, encontrada até 40% mais barata, incentivou-nos ao investimento. Todavia, a vida é surpreendente! À véspera de compra-la, uma Deus 2011 entrou em nossa casa pela mão de um amigo. E, 10 dias depois, outras duas, 2011 e 2012, foram ofertadas por outros amigos. Será esse o poder de Deus?


Sady Homrich, Renato Borghetti, e Patrick Stephanou
  
Na vida, pequenas doses de luxúria talvez sejam perdoadas. Como saberemos todas as sensações (guardadas exceções degradantes) se não as desfrutarmos, ao menos uma única vez? A cerveja Deus é, realmente, uma das mais memoráveis experiências cervejeiras, fazendo valer cada centavo empregado em seu consumo. Cerveja belga tipo espumante, com 11,5% APV, vendida em “safra” anual de 15mil garrafas. (E, diga-se de passagem que é produzida pela Bosteels que produz também a Kwak e a Tripel Karmeliet). Coloração clara, levemente dourada, translúcida e com grande volume de espuma. Apresenta corpo frisante, bastante carbonatado, aflorando aromas cítricos e amadeirados. O sabor predominante é herbal, denotando uma complexidade única que compreende todos os cinco gostos da língua, com ênfase no doce e final amargo. Enfim, uma cerveja que podemos chamar de perfeita como a obra de Deus.



quarta-feira, 27 de março de 2013

DOIS SEGUNDOS




O TELECERVEJA, na figura desse blogueiro que vos escreve, foi convidado para degustar novos rótulos importados em duas ocasiões no Bier Markt Vom Fass. Na Terça-feira, dia 12, foi a vez da Buena Beer expor a linha Viven e Green Flash; no dia seguinte, a Interfood apresentou produtos Duvel. Discorreremos, a seguir, algumas impressões da experiência da degustação do primeiro dia na ordem do serviço:




CERVEJAS VIVEN (Bélgica)

Viven Blond
Para começo de festa, chamou-nos a atenção a qualidade do produto que não apresentou sinais de oxidação comuns em cervejas importadas “além mar”.
Mesmo sendo cerveja de frente na Bélgica, despertou aromas fortes e uma complexidade, com uma curva de sabor que predomina o adocicado. 6,1% APV.

Viven Bruin
Aroma de abacaxi e marzipan encobrem o aroma do lúpulo. Com os mesmos 6,1% APV da Blond, porém salientes.

Viven Ale
Uma Ale Belga. Cerveja suave e seca. 5% APV.

Viven Imperial IPA
Embora o aroma tenha nos lembrado do lúpulo Centenium – usado na porto-alegrense Seasons Green Cow -, é informado o uso de Tomahamk e Simcoe. Aparência turva. Característica do estilo: sabor doce com final amargo.

Viven Porter
O uso de malte defumado qualifica aroma e sabor mais marcantes. Os 7% APV participar de forma oculta...





 
CERVEJAS GREEN FLASH (Estados Unidos)

Green Flash Saison Diego
Sua aparência aponta a semi-filtração. O uso de gengibre denota uma complexidade de aromas e sabores. Apenas 4,5% APV.

Green Flash Friendship Brew
Parecida com o estilo da Saison Diego. Aqui faz-se uso de sálvia. Coloração escura e aroma de erva-doce. 5,7% APV.

Green Flash Trippel
9,7% APV (Percebas que nossa memória não registrou muitas percepções nessa degustação a essa altura!). Lembra a clássica Tripel Karmeliet. Certamente foi referência.

Green Flash Le Freak
O presente co-cervejeiro Chris Weber explicou na ocasião que essa cerveja une dois estilos: uma Belgian Triple (como a Green Flash Tripel) com uma Imperial IPA. O resultado com 9,2% APV é elogiável! O aroma predominante é da Tripel, mas com o amargor da IPA.

Green Flash Grand Cru
Para finalizar a noite... 9,1% APV! Uma Belgian Strong escura. Cerveja pesada, porém sem perceber o álcool. Belo exemplar do estilo, oferecendo aroma e sabor harmoniozamente.

Ambas cervejarias Viven e Green Flash, apresentadas nessa degustação, ofereceram uma linha de produtos de grande qualidade. Nosso encantamento ficou  com a californiana Green Flash, pela criatividade e excelência das receitas de seu mestre cervejeiro Chuck Silva.

Leonardo Sewald (Seasons), Patrick Stephanou (TELECERVEJA), e Chris Weber (Green Flash)


No dia seguinte, ainda sabendo que à noite participaríamos da seguinte degustação, fomos convidados a acompanhar a elaboração duma cerveja colaborativa Seasons Green Flash. Iniciando a tarde, na cervejaria Seasons, nos integramos a amigos cervejeiros que trocavam experiências com o anfitrião Leonardo Sewald e com o visitante Chris Weber, ansiando o flagrante churrasco de costela conduzido pelo Pedro Braga do Bier Markt. Vida nada fácil...

P.S.: O título “Dois Segundos” foi inspirado pelo tempo aproximado de percepção do “brilho verde” (green flash) solar.



quinta-feira, 14 de março de 2013

HABEMUS SERVISIA








Coincidência com o Papa Francisco?
A fumaça branca sinalizou a eleição de mais um pontífice. Que Deus ilumine a jornada do argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Chico! Todavia, para nós do TELECERVEJA, o papo tem que ser reto...

O eleito Papa Francisco I tem um histórico de conservador. Num sermão durante a missa da Quinta-feira Santa de 2009, então arcebispo de Buenos Aires, ele que costumeiramente não manifestava temas polêmicos acabou por falar contra a cerveja, relacionando a bebida com drogas. Na visão de Bergoglio, os jovens urbanos tem livre acesso à maconha, crack, e cerveja; e por isso vivem submersos a um universo de violência, caos, e corrupção. Porém, tais afirmações indignaram os jovens argentinos, que obviamente não concordaram com a absurda associação, que predispõe a cerveja à mesma altura de drogas – principalmente como o crack. Lamentavelmente uma visão de total ignorância por parte de vossa santidade. Esperamos que, hoje, o Papa Chico, pessoa de hábitos simples, e cozinheiro de sua própria comida, tenha uma visão mais branda em relação à cerveja, bebida alcoólica que varia em torno de míseros 5%APV. Tudo bem, ela pode ser usada de forma negativa, mas é um produto lícito e seu uso é reflexo da educação de seus consumidores. Papa Chico, e a pedofilia?

EM TEMPO: E, o símbolo da cerveja alemã Franziskaner... É muita coincidência a imagem do franciscano, ou obra de Deus?!




sexta-feira, 1 de março de 2013

ROTULANDO A CERVEJA



Em relação a 2009 e 2011, a série do Bob “Melhores de 2012” expôs uma nova categoria que nos agradou muito: “Rótulo Mais Bonito”. Sabemos que não são todos os apreciadores da boa cerveja que se importam com a estética da embalagem (rótulo, garrafa, barrilete, etc) – outros não se atem nem às importantes informações do produto que o rótulo deve apresentar... – mas o fato é que, de alguma maneira, mesmo que inconscientemente, quando bem produzida a embalagem torna a cerveja mais atrativa na escolha da compra. E, para nós que trabalhamos com arte gráfica, compondo rótulos também, esse tema, em especial associado à cerveja, nos empolga ainda mais.

Para discorrermos sobre esse assunto, limitando a profusão de embalagens, optamos por comentar apenas sobre os rótulos nacionais mais conhecidos votados na enquête do Bob.


COLORADO

Na nossa opinião, a Colorado foi a responsável pelo resgate, de forma nacional, da arte dos históricos rótulos desenhados à mão, que incentivaram criações livres do padrão industrial. Evidentemente que produções como as da lendária Canoinhense resistiram ao passar dos anos, mas a Colorado ousou em apostar na pesquisa do designer cervejeiro Randy Mosher, figura emblemática que se veste como um próprio rótulo.


SEASONS E ANNER



Seasons Bigfoot foi o meu voto na enquête do Bob. Assim como os rótulos da Invicta apresentam ilustrações dos pontos turísticos locais, quando vi a paisagem de Porto Alegre com a Usina do Gasômetro ambientando o fundo da tradicional vaquinha da Seasons eu agreguei sentimento ao produto. Lembrando que essa vaquinha, tão apreciada pela co-proprietária da Seasons Caroline Bender (esposa do Leonardo Sewald), já referencia a marca. Curiosamente a Anner MariaDegolada, que expõe uma história local que deu nome ao lugar (onde fica a cervejaria), em Porto Alegre, não nos causou o mesmo efeito que a Seasons Bigfoot por não trazer referência ao nosso cotidiano, ainda que apreciamos muito todo o conceito do premiado produto.


FALKE BIER, BAMBERG E AMAZON


  
De um modo geral, percebemos que as mais expressivas cervejarias artesanais brasileiras aderiram à valorização da arte de seu rótulos. Podemos ver grandes produções na Falke Bier; Bamberg (com sua linha temática musical, também); e Amazon.


CORUJA, WAY, E EISENBAHN






















Um expoente em desenho arrojado é o caso da Coruja. Iniciou a venda de chope em garrafas de uso químico que tornaram-se identidade da cerveja, fora o fato do rótulo ser serigrafado no casco - técnica que a Way veio utilizar também. Quando a Coruja lançou suas versões pasteurizadas, tiveram que utilizar as garrafas comuns e rótulos de papel perdendo a identidade conquistada. Todavia com a série “fora de série”, a diferenciada arte dos rótulos para as receitas inéditas e assinadas destacou a marca novamente. A Eisenbahn 10 anos, lembrando o lançamento da Eisenbahn Fünf (que homenageou os cinco anos da cervejaria), se não fosse a sua conterrânea catarinense com o nome de Zehn Bier, poderia ter se chamado Eisenbahn Zehn (Zehn significa dez em alemão). Especulações à parte, o fato é que o brilhante trabalho duma competente equipe da, hoje, Brasil Kirin desenvolveu uma garrafa tipo espumante – adequada ao estilo – em duas versões de rótulos impressos: a de casco verde padrão; e uma série limitada “garrafa dourada”, em casco pintado com direito à caixa de madeira. Um primor!


KÜD




Lembrando a linha temática musical da Bamberg, onde homenageia bandas de roquenrol, e o ineditismo dos cascos químicos da Coruja, a Küd lançou um ótimo trabalho de embalagem para cervejas suas. Barriletes exclusivos com rótulos alusivos a bandas estrangeiras. Dos cinco apresentados aqui, entendemos que o “Smoke On The Water”, predominantemente cinza, deveria ser na cor púrpura...


BODEBROWN E GRIMOR


















A criativa Bodebrown, que sempre inova em receitas e promoções, lançou a garrafa da sua ex-cerveja Venenosa – agora Perigosa – em tubos de papelão. Embalagem que lembra a versão sestavada do premiado trabalho da Grimor. A Grimor segue uma linha padrão em seus rótulos numerados, já a Bodebrown apresenta uma arte para cada receita.


BACKER



















Também existem “trabalhos parecidíssimos”. O sucesso de algumas embalagens como o uso de sifões iguais por diferentes cervejarias, confundem o consumidor. E, quando a tática de venda é a carona no sucesso alheio? Há quem compre Opa Bier no lugar de Eisenbahn. Visualmente parecem iguais, mas não só o preço da Opa Bier é menor... Agora comprar a série Três Lobos da Backer com a gana de uma estadunidense Flying Dog...



DUM E WÄLS

Um dos casos mais comentados, e que gerou mudança no rótulo, foi o da cerveja Petroleum. Criada pelos cervejeiros caseiros da DUM, foi lançada num casco com uma arte simples e extraordinária. Ao passo em que começou a ser produzida pela Wäls, a garrafa e o rótulo adquiriram mais sofisticação (que nem sempre é sinônimo de melhora), expondo a criativa frase de efeito: (Petroleum) “Uma grande descoberta”.


HOPFUL, BOTTO BIER, E STEPHANOU



















Aqui o céu é o limite. Uma vez que não haja a preocupação com o custo do produto e com o processo fabril, as criações são livres. A Hopful criou um logotipo que se lê de igual maneira estando virado de ponta-cabeça. O Leonardo Botto que homenageou a sua esposa Tatiana com a ‘Dama do Lago’ (nome que hoje pertence à Eisenbahn dado ao concurso Mestre Cervejeiro), criou a cerveja do Vinícius, filho do casal, com o nome de Zoontje – que significa filho em holandês. Se uma cerveja homenageia a vida, outra a despedida dela. A nossa produção da Stephanou Niemeyer IPA (ou PAI – Pálida de Alta da Índia) veio prestar condolências ao extraordinário colega, o Arquiteto Oscar Niemeyer. Do mesmo modo que a Stephanou Carna Weiss, utilizando casco padrão, tomamos partido do recorte dos rótulos. O do Niemeyer com a forma da coluna do Palácio da Alvorada, e o carnavalesco, em forma de serpentina, ambos fazendo alusão aos temas.

Portanto, defendemos que a importância visual que uma cerveja apresenta numa experiência sensorial vai além do líquido. Embalagens e histórias ambientam uma degustação mais marcante.

Cervejeiro, além da qualidade da sua cerveja, invista na embalagem!





sábado, 9 de fevereiro de 2013

CARNA WEISS





Duas gratas surpresas para nós no Carnaval. Uma foi em descobrir o bom Carnaval de Porto Alegre e, a outra, de receber dos bichinhos (leveduras) mais uma boa cerveja, de próprio punho, elaborada em participação com a Pirapó (Delos).

Detalhe desse que vos escreve, e de um carro que homenageou a "Avalanche Gremista".



Almejando uma cerveja refrescante, leve, e com boa bebilidade – justamente para lubrificar o Carnaval – escolhemos fazer uma cerveja de trigo, ou cerveja branca (Weiss). E, se no Carnaval, passamos com Weiss: Stephanou Carna Weiss!



Stephanou CARNA WEISS (cerveja de trigo)

PRESSÃO
Pressão satisfatória. Creme duradouro e denso de grande volume inicial.

APARÊNCIA
Cerveja turva com coloração dourada escura. Fina camada de espuma persisitente.

AROMA
Predomina o aroma (éster) de banana, com um fundo suave de álcool. Dá para se dizer que o cheiro de açúcar mascavo/melado/mel está presente. Não denotamos cravo e, aroma do lúpulo bem ofuscado. Por mais tempo, o aroma, talvez, possa parecer enjoativo - o que não é defeito.

SABOR
No geral, gosto do malte adocicado. Um doce que desarmoniza com um levíssimo amargor. Não pareceu muito harmonioso.

CORPO
Corpo denso com leve efervescência.

IMPRESSÃO GERAL
Belo exemplar de cerveja de trigo. O resultado foi uma orgulhosa surpresa. Cerveja artesanal nos causa a emoção da descoberta do produto final.



P.S.: E, mais um rótulo de criação de nosso escritório!







quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

LATA CAMALEÔNICA





Lá em 2008, já tínhamos comentado sobre embalagem de cerveja, como o rótulo de Skol, que muda de cor utilizando o ‘termocromismo’. Efeito tradicionalmente conhecido pelo “galinho do tempo português” que, conforme a temperatura, troca de cor. Para a cerveja, esse artifício pode orientar a temperatura de consumo ou simplesmente ser usado como apelo em campanhas publicitárias. Agora, chegou a vez da Brasil Kirin apropriar-se dessa técnica, com o lançamento da lata alusiva ao festival musical de verão “Planeta Atlântida”, patrocinado pela cerveja Nova Schin.



Como colecionador (desde 1990) de itens ‘brewerianos’, isto é, de qualquer item com marca de cerveja; compramos a “lata do Planeta” e resolvemos testar a brincadeira. A primeira coisa que nos chamou a atenção foi um pensamento conspiratório sobre uma possível mensagem subliminar... Grande parte da tinta termosensível amarela muda para laranja. Será o mesmo que “A Skol (amarela) é quente / a Nova Schin (Laranja) é gelada”? Bom, certamente devo estar bebendo demais... Ou, posso estar certo, e receber uma cartinha do Peter Ehrhardt, simpaticíssimo mestre-cervejeiro da Nova Schin, que me garantiu que a cerveja que ele faz só contém ingredientes de primeira – e esse é o segredo...



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

TELECERVEJA 2013




Voltando de um ínterim, o TELECERVEJA renova o ímpeto, focando um discurso mais crítico ao cenário cervejeiro, na opinião, de Patrick Stephanou - esse que vos escreve. Felizmente, chegamos a um estágio, em que os consumidores não carecem mais tanto de catequização, servidos de muita informação oriundas das próprias cervejarias, lojas, bares, blogues, entre outros. Assim, o nosso foco apropria-se da avaliação e repercussão desse crescimento e desenvolvimento do mercado de cervejas especiais no país. O formato do blogue, agora, busca a identidade de um tablóide, com nossa coluna, charges, e novidades.

Cliques na imagem para ver o vídeo.

Em pleno período de férias, nada melhor que um “zitoturismo” (turismo cervejeiro). Então, que tal acompanhar a odisséia de um amante da cerveja, que a respeita como uma de suas paixões? No segundo episódio da mini série ‘Borghetti na Estrada’, “Cerveja, churrasco, e inspiração”, o simpático gaiteiro Renato Borghetti (Borghettinho) nos proporciona acompanharmos suas peculiares experiências cervejeiras na Europa. Gelar cerveja com neve? Borghettiando por aí...

Corujando, entre o Borghettinho e o Burgomestre Sady Homrich em dois momentos, 2006 e 2007.