quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

50 CENTAVOS

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No final do ano passado, ao menos em Porto Alegre, os apreciadores de Heineken tiveram uma boa oportunidade para aumentar os estoques dessa “verdinha” em seus cervejários. A Vonpar, distribuidora dos produtos Coca-Cola/Kaiser no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, em parceria com as conveniências Am Pm dos postos Ipiranga estavam ofertando a lata de Heineken por R$ 1,19 – preço abaixo da média nacional. Nós que consideramos a Heineken a melhor opção em cerveja industrial “de linha” do Brasil, obviamente, compramos algumas caixas. Porém, temos uma larga preferência a consumir cervejas em garrafa. Já que pagamos, normalmente, R$ 1,69 pelas “long necks” de Heineken, entendemos, à primeira vista, que a economia de 50 centavos por unidade valeria a troca de embalagem. Assim, surgiu, mais uma vez, em nossa mente, a repetitiva pergunta: Cerveja em garrafa e lata têm diferença? Vamos tentar justificar algumas teorias – teoria porque esse tema é bastante polêmico.

Inicialmente, respeitamos o gosto particular, onde nem todo apreciador cervejeiro compartilha com a ideia de que uma cerveja amarga como a Heineken seja a melhor opção entre as “volumosas”. Pois bem, nos atendo meramente às transformações que a cerveja pode sofrer sendo encapsulada em garrafa ou lata, listamos algumas perguntas e respostas, frequentes, ao tema:

A cerveja produzida numa cervejaria é igual para garrafa e lata?
Sim. Sendo a mesma marca (receita e estilo), na fase de envasamento (engarrafamento e enlatamento), a cerveja é a mesma, salvo se for chope - que não é pasteurizado.

Quais as diferenças entre garrafa e lata?
As principais e pertinentes diferenças entre garrafa e lata são a carbonatação, e a translucidez. Já que a garrafa tem escape de gás carbônico, não sendo totalmente impermeável, nas cervejarias de grande porte ela recebe uma carbonatação adicional (cerca de 10%) que aumenta a pressão interna da garrafa, garantindo a qualidade da cerveja por mais tempo e, por sua vez, potencializando as suas características intrínsecas. Por outro lado, a garrafa tem um grau de translucidez que é prejudicial à cerveja quando não a protege da luz. O lúpulo é o ingrediente que mais sofre com a ação da luz, produzindo um gosto indesejável à cerveja. Esse é o motivo do uso de cascos âmbares (marrons), que funcionam como um “insul-film”. No caso da Heineken que utiliza a garrafa verde, mais diáfana, ou outras cervejas engarrafadas em cascos azuis ou até mesmo transparentes, a explicação está na resistência de seus ingredientes (geralmente o lúpulo) à sensibilidade à luz.

É verdade que o gosto metálico da cerveja vem do alumínio da lata?
Não. A lata de alumínio é inerte à cerveja, assim como o vidro da garrafa. O que pode acontecer, entre outras ações patológicas, é a cerveja tenha sofrido oxidação que desenvolve um gosto “metálico”.

É verdade de que a área menor de superfície oxidante (em contato com o ar) da garrafa em relação à da lata, estando ambas na vertical, favorece a garrafa?
Não. Essa pequena diferença, ainda mais dentro da embalagem não faz diferença. O único cuidado que se deve ter é de guardar as garrafas em pé, pois a tampa não é totalmente impermeável.

Cerveja em lata é melhor do que em garrafa, pois gela mais rapidamente?
Não. Tal diferença é irrelevante à essa avaliação. A maior condutividade térmica do metal em relação ao vidro, realmente gela mais rapidamente a cerveja em lata, mas deve-se tomar cuidado com o choque térmico no resfriamento acelerado.


Existe muita controvérsia entre as diferenças e preferências entre a cerveja em garrafa ou lata, desse modo gostaríamos de saber a tua opinião.
O TELECERVEJA fez o esse teste cego com a Heineken, desconsiderando diferenças de transporte e estocagem, adquirindo os dois tipos de embalagem no mesmo local. Assim, obtivemos o esperado resultado onde reside a nossa opinião.


HEINEKEN lata (350ml)

APARÊNCIA
Coloração dourada, pouco clara demais. Translúcida. Creme aerado, e de pequeno volume inicial. Resiste uma singela camada de espuma.

PRESSÃO
Média pressão com espuma volúvel.

AROMA
Percebemos um aroma de álcool (5,0% APV) e discretos lúpulo (convencional) e pão (malte).

SABOR
Embora normal para a cerveja, sentimos o lúpulo intensamente na espuma. No líquido sentimos mais o sabor do álcool do que o de lúpulo. O sabor do malte não apareceu.

CORPO
Leve demais e – acreditem! - um pouco frisante. A amostra, no copo, não parou de borbulhar.

IMPRESSÃO GERAL
Pior Heineken que provamos. Talvez seja fruto da teoria da conspiração. Ao preço oportuno de R$ 1,19, será que era Heineken, mesmo?


HEINEKEN garrafa (355ml)

APARÊNCIA
Coloração dourada brilhante. Creme de grande a médio volume.

PRESSÃO
Boa pressão. Espuma densa e cremosa.

AROMA
O característico aroma do lúpulo utilizado pela Heineken se fez presente aflorando todo o local onde degustamos.

SABOR
Não sentimos o sabor dos 5% de álcool por volume. Para uma verdadeira Pilsen (especificamente Premium Lager), o potente amargor resistiu do gole ao retro-gosto.

CORPO
Corpo suave, mas equilibrado. Carbonatação na dose certa, embora sentimos um tremor desconfortável na ponta da língua.

IMPRESSÃO GERAL
Verdadeira Heineken. A melhor cerveja industrial “de linha”, ainda pura, e agora, com tampa-rosca!




CONCLUSÃO
Com o teste cego, fica comprovado, sem qualquer interferência psicológica (preferência), que a cerveja – Heineken, pelo menos - em garrafa é melhor do que a em lata. Nós sempre preferimos o gosto da cerveja em garrafa, até por acharmos a embalagem mais tradicional e charmosa, pois gostamos de ver o líquido que bebemos - tanto é que dispensamos o uso de cervejela, até porque não se faz necessária quanto à conservação de temperatura. A garrafa, que tanto prestigiamos, só perderá para a lata quando faltar ou o assunto for economia. Nunca ficamos sem cerveja (em garrafa) estocada, para não corrermos o risco de comprarmos em lata. Por uma diferença de 50 centavos por unidade, conseguimos colocar Heineken, no lugar de Skol nas beberagens da família e amigos. Foi um pequeno passo para o cervejeiro, e um grande passo para o mercado!


Curtas o comercial da Heineken que está sendo divulgado em diversas mídias. Chamo à atenção ao detalhe no crédito final, em que as vogais ‘e’ da palavra Heineken, giram ao ouvir a abertura de uma GARRAFA! Cada ‘e’ com meio giro, faz alusão a uma “carinha” com sorriso, constituindo a identidade da marca. videoO TELECERVEJA se identificou com essas “carinhas” que acabou experimentando essa particularidade da marca...
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3 comentários:

Alexandre disse...

Olá, e parabéns pelo blog! Não sou nenhum grande especialista nos assuntos cervejeiros, mas um grande bebedor ... Apesar de não gostar da Heineken, outro dia comentava com um amigo como a cerveja que tomávamos (Brahma Extra) parecia visivelmente melhor em garrafa do que em lata. Eu acho isso, mesmo sem tanta técnica na avaliação.
Devo reverberar esse assunto no meu blog.

Um abraço

Alexandre
www.mottinha.net

Alexandre disse...

Oi, voltei!

É que eu não achei um jeito de comprar nada lá no Cervejoteca Stephanou. Queria o porta-copos grandão da Antarctica Original. Moro em PoA. Como faço?

Se puder responder meu e-mail: mottagabry AT gmail.com

Obrigado

Marco Zimmermann disse...

Olha, hoje em dia tenho preferido a latinha. Tem um sabor melhor equilibrado.
As garrafas geralmente já sofreram algum efeito da luz.
Mas acho que é difícil chegar a uma conclusão definitiva a este respeito...
Abraço!

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